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Marketing no divã

Curiosamente e apesar de todos queremos ser indivíduos únicos e singulares, o nosso cérebro funciona exactamente ao contrário nesta questão. Os nossos neurónios espelham a informação que percepcionam, imitando o que acontece na sua envolvente. dai o tão conhecido efeito do bocejo. Nós, seres humanos vivemos na busca de integração em determinado grupo, seja ele no seio familiar, circulo de amigos, colegas de trabalho, parceiros do ginásio ou de paddel.

 

É importante identificar este padrão de comportamento como algo inerente ao nosso sistema bioquímico, capaz de equilibra-lo e proporcionar-nos o estado de espírito que todos procuramos: bem-estar / prazer / felicidade, ou o que queiramos chamar.

 

A pergunta é, como atingimos este estado? Através da comunicação, um canal com a capacidade de estimular o nosso cérebro a libertar as hormonas necessárias que nos apaziguam o espírito e enchem o coração de emoção. Por outro lado, também é a comunicação, o canal com a habilidade de nos fazer corroer por dentro, que tanto nos frusta e nos leva a viver uma vida de insatisfação e infelicidade.

 

Cabe-nos consciencializar deste paradoxo, desta dicotomia antagónica sustentada em constructos sociais, onde tão pouco e tão bastante estamos comprometidos que estão intimamente relacionados com o comportamento humano.

Assim sendo, a comunicação tem um papel altamente influenciador nas necessidades emocionais das pessoas. Consegue criar necessidades, tais que o indivíduo a pensar que por sua vontade (mas não), reage e atua consoante o que lhe é proposto.

 

Esta abordagem pode parecer maquiavélica, mas muito confirmada por centenas de cientistas. Aqui entra a função do especialista em comunicação em disseminar informação que leve as pessoas não a tomarem decisões com base no preconceito e nestes constructos mas na base da aceitação e gratitude. É função e dever de todos enquanto comunicadores, comunicarmos diariamente connosco, não buscando aceitação de uma sociedade viciada mas na busca de amor próprio. As redes sociais têm um papel antagónico porque são uma ferramenta excepcional de partilha de conhecimento e informação mas, por outro lado, hábeis em criar expectativas das experiências que devemos vivenciar.

 

O marketing deve sentar-se num divã, repensar a sua finalidade e ajudar as pessoas a encontrarem nesta sociedade divida um ponto em comum. Pois Comunicação é uma palavra derivada do termo latino “communicare“, que significa “partilhar, participar algo, tornar comum“.

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